quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Não importa o que digam, é graças aos professores que ainda existe educação básica nesse país

Não importa o que digam, é graças aos professores que ainda existe educação básica nesse país. Um título longo, mas necessário. É necessário que de cara já se deixe claro a mensagem. Apesar de, especialmente nas escolas públicas municipais e estaduais, não termos materiais, tendo que comprar muitas vezes do próprio bolso, sermos pressionados a aprovar em massa alunos que não tiveram a oportunidade de ter uma escola que garantisse sua aprendizagem, de termos salários atrasados, salários baixos em relação à nossa formação, ainda mais se considerarmos que muitos docentes da educação pública, mesmo no ensino fundamental e médio, têm especialização, mestrado e doutorado, de sermos desmoralizados perante a opinião pública pela grande mídia, sermos hostilizados até mesmo pela população quando fazemos greve e atacados pelas grandes emissoras de televisão, mesmo com tudo isso, tal como Atlas, sustentamos a educação desse país em nossos ombros, carregamos nas costas o peso dos problemas sociais, da violência, da ignorância, da falta de investimentos nos serviços públicos. Quando vejo os professores discutindo alternativas ou mesmo desabafando sobre os problemas do ensino na internet, na sala dos professores ou mesmo em conversas informais, quando vejo grupos virtuais de troca de atividades para tentar garantir o mínimo em sala de aula com nossos alunos, quando vejo blogs de professores sobre as diversas áreas do ensino, quando vejo os professores, como eu e tantos outros, estudando mais e mais, fazendo mestrado, pós, pra tentar aprender mais e melhorar a qualidade do nosso trabalho, sem nenhum incentivo, sem liberação para estudo, por conta própria, tendo que estudar e ao mesmo tempo trabalhar, cuidar de casa, de filho e ainda ter que lutar contra os ataques que os desocupados que estão no poder não cansam de fazer contra a nossa categoria profissional e contra a escola pública, quando vejo professores tendo que brigar para ter tempo de planejamento para melhorar a qualidade das aulas e atingir os objetivos relativos à aprendizagem dos alunos, quando vejo professores tendo que brigar para conseguir dar aula (sim, nós brigamos para conseguir trabalhar) e não contarmos, muitas vezes, com o apoio das famílias, dos governos, e em muitas escolas das equipes pedagógicas, embora ainda existam famílias participativas, equipes pedagógicas que apóiam a atividade docente, mas quanto aos governos aí o descaso é absoluto mesmo, quando vejo tudo isso e vejo que seguimos em frente, isso renova a esperança. Seguimos em frente mesmo com todos os ataques que sofremos, e é um massacre sobre nós, todos os dias, o que nos leva a uma contradição: a categoria que mais briga para conseguir trabalhar é também aquela que é formada por pessoas que todos os dias contam os dias para o próximo feriado, as próximas férias, para a aposentadoria, porque nosso trabalho alcançou tal nível de alienação, que aquilo que era nossa vocação torna-se fonte de mortificação. Parabéns para nós que seguimos em frente na trincheira da sala de aula, no front! Nós somos, e digo isso sem a menor dúvida, a linha de frente do combate por uma sociedade civilizada, esclarecida, produtiva e justa. É inspiradora a atitude de cada colega que compartilha o seu conhecimento, a sua experiência e pratica gestos de generosidade na vida e no trabalho que ajudam cada um de nós a seguir em frente e formar essa rede viva de cooperação, de ajuda mútua, uma rede profissional de discussão e trabalho, de compartilhamento de experiências, estudos e práticas e também de nossas angústias. Sei que prometi que esse seria um blog profissional apenas. Mas assim como se fez necessária uma postagem mais teórica no início, faz-se necessária essa postagem política, sim, política, abertamente política e digo sem medo de dizê-lo, porque ou forjamos uma comunidade de interesses contra todos aqueles que militam pela ignorância do povo ou seremos esmagados pelo peso do mundo que jogam sobre nossas costas. 


Rafael Rossi

2 comentários:

  1. Olá Rafael Rossi. Seu artigo sobre As grandes Revoltas de escravos na Roma antiga foi parte de nosso estudo na disciplina de História Antiga II no curso de História da UEG - Campus cidade de Uruaçu - Goiás. Ontem, finalizando a primeira parte da avaliação da sala neste bimestre, eu o utilizei para que os alunos me fizesse um paper sobre a compreensão de suas análises sobre aquelas revoltas. Tenho sua dissertação nos meus arquivos. É a segunda vez que uso seu texto na disciplina de História Antiga. Depois vou publicar na sala de aula seu artigo de 2013 quando trata do passamento do historiador goiano Ciro Flamarion Cardoso. Boa batalha na formação da história e prazer poder ter essa oportunidade de comunicação. meu email é atanasiofilho68@gmail.com. Depois posso demonstrar como foi a oportunidade dos alunos em responder sobre suas análises. Sou José Atanásio de Souza Filho, professor no curso de História da Universidade Estadual de Goiás. Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que legal, José. Fico muito feliz. O objetivo é esse mesmo. Se o que a gente produz for ficar só numa estante empoeirada não tem serventia. Adorei saber que a galera está discutindo.

      Excluir

CONSUMO, CONSUMISMO E OBSOLETISMO PLANEJADO

              No vídeo “A História das Coisas”, sucesso na internet visto por milhões de pessoas de todo o mundo, são apresentados os conc...