domingo, 3 de janeiro de 2021

CONSUMO, CONSUMISMO E OBSOLETISMO PLANEJADO

 


            No vídeo “A História das Coisas”, sucesso na internet visto por milhões de pessoas de todo o mundo, são apresentados os conceitos de obsolescência planejada e obsolescência perceptiva. A obsolescência planejada foi desenvolvida pelas indústrias para que as coisas se tornem inúteis tão rápido quanto possível. A tecnologia dos computadores, por exemplo, muda tão rápido que em poucos anos se torna quase um impedimento para a comunicação. A obsolescência perceptiva é fabricada pelas empresas por meio da publicidade e da propaganda e também da moda. Os indivíduos são bombardeados com publicidade e são convencidos de que valem o quanto consomem. Os consumidores jogam fora coisas que ainda são perfeitamente úteis. Para que troquem suas coisas por outras novas sem que precisem, as empresas mudam apenas a aparência das coisas, fazendo daqueles que não estão na moda socialmente inferiores. Uma se dá na esfera da produção e outra se dá na esfera do consumo.

            Esse vídeo de Annie Leonard, cientista ambiental que trabalhou com organizações como o Greenpeace e dirige o Projeto História das Coisas, também fornece outro conceito, o de exteriorização dos custos. Os produtos a preços baixos para os consumidores têm esses preços porque os trabalhadores que os produzem e vendem ganham pouco e têm suas condições de saúde e o meio ambiente onde vivem deteriorados. Isso é exteriorização dos custos.

            No livro “A História das Coisas”, baseado no documentário, é exposta a diferença entre consumo e consumismo. Diz a autora: “Enquanto consumo significa adquirir e utilizar bens e serviços para atender às necessidades, consumismo refere-se à atitude de tentar satisfazer carências emocionais e sociais através de compras e demonstrar o valor pessoal por meio do que se possui”. E há ainda o superconsumismo, que “é quando utilizamos recursos além dos necessários e dos que o planeta pode suprir”.

            Marcuse foi um filósofo que refletiu sobre a nossa sociedade. Para ele, “o obsoletismo planejado” e “a produção e consumo do supérfluo” são traços fundamentais da sociedade capitalista desenvolvida na época contemporânea. Na nossa sociedade, “a mercadoria que tem de ser comprada e usada traduz-se em objetos da libido”. Desse modo, a vida humana e todas as suas manifestações vitais, físicas e mentais, são marcadas pelo valor de troca e até o seu desejo e sua vontade são coisas ou podem ser projetados em coisas que são compradas e vendidas. Além disso, a elevação do padrão de vida a níveis nunca antes experimentados tornou uma necessidade objetiva um elevado padrão de vida. Isso quer dizer que as pessoas se tornaram prisioneiras de sua situação social, escravas de suas coisas. Para completar, os meios de comunicação de massa martelam nas cabeças dos indivíduos aquilo que eles devem desejar. A própria identidade do indivíduo contemporâneo é construída pela massificação de marcas e exemplares da arte de entretenimento.

            E qual é o resultado prático disso tudo na vida das pessoas? No livro “A História das Coisas” podemos encontrar parte da resposta para essa pergunta. De acordo com Annie Leonard e Ariane Conrad, autoras do livro, em 2005, os chamados gastos pessoais, que representam o valor destinado a bens e serviços em uma família, alcançaram 24 trilhões de dólares no mundo todo. Nesse mesmo ano, só os americanos, tinham 832 bilhões de dólares em dívidas de cartões de crédito. De acordo com dados do censo dos Estados Unidos: “As dívidas dos consumidores aumentam numa taxa duas vezes maior do que suas rendas”.

            Sendo assim, além dos impactos ambientais negativos, o consumismo tem gerado o superendividamento dos consumidores e das famílias, que acumulam dívidas que se tornam impagáveis. E isso é uma realidade também no Brasil. Os gastos com o pagamento de dívidas se somam às contas de luz, água, gás, alimentação, transporte, moradia e superam a renda mensal. Superar o consumismo depende de nós. A partir de uma atitude de buscar a valorização do que é essencial, diferenciar o que é básico daquilo que é supérfluo e elencar objetivos de curto, médio e longo prazo para a nossa vida. Já o obsoletismo planejado é algo um pouco mais complexo porque se situa no âmbito da produção. Portanto, nesse caso, cabe a nós, coletivamente, como consumidores, trabalhadores, investidores, cidadãos cobrar das grandes empresas uma atitude responsável e honesta, cobrar responsabilidade social e responsabilidade ambiental. Não somos obrigados a ser clientes ou a financiar empresas que não tenham compromisso com o planeta e com a sociedade. Exigir essa responsabilidade das empresas também é exercer a cidadania.

sábado, 2 de janeiro de 2021

LIÇÕES DO LIVRO O HOMEM MAIS RICO DA BABILÔNIA

 


 

            “Garantam um rendimento para o futuro. Olha para os velhos e lembrem-se que, nos dias vindouros, também serão idosos. Por isso, invistam o vosso tesouro com a máxima cautela para que não se perca.”

            “Orçamentem as vossas despesas para terem moedas capazes de pagar as vossas necessidades, pagarem os vossos prazeres e satisfazerem os vossos desejos importantes, sem com isso gastarem mais de nove décimos dos vossos ganhos.”

            “A riqueza de um homem não está nas moedas que ele tem na sua carteira; é o rendimento que ele constrói, o fluxo de ouro que flui continuamente para a sua carteira e que a mantém sempre em crescimento.”

(O Homem Mais Rico da Babilônia, de George S. Clason)

           

            O livro “O Homem Mais Rico da Babilônia” é uma coletânea de parábolas ambientadas na antiga Babilônia escritas por George Clason a partir de 1926, que foram distribuídas inicialmente na forma de panfletos em bancos e companhias de seguros dos Estados Unidos. George Samuel Clason escreveu aquele se tornaria o mais antigo e famoso livro sobre finanças pessoais. Fonte: Wikipédia.

             Em uma parte do livro são descritas o que o autor apresenta em uma de suas parábolas como “As Cinco Leis de Ouro”. Em certo momento ele descreve o que seria a “Segunda Lei do Ouro”:

            “O ouro traz contentamento ao sábio proprietário que lhe encontra um fim rentável, multiplicando-o tal como os rebanhos no campo.

            O ouro, de fato, é um trabalhador voluntário. Está sempre pronto a multiplicar-se quando a oportunidade surge. Para qualquer homem que tenha um armazém de ouro, a oportunidade apresenta-se para fazer uma utilização rentável dele. Ao longo dos anos, multiplica-se de forma surpreendente.”

            Guardando uma parte do seu dinheiro poderá ter recursos para fazê-lo multiplicar, investindo onde seja mais rentável. Desse modo, ensina o texto, além de poupar um décimo do dinheiro que ganhar com o seu trabalho é preciso saber investi-lo onde der melhores rendimentos, lembrando de colocar os recursos financeiros obtidos com muito esforço em investimentos seguros. Em uma passagem do texto diz o seguinte: “O primeiro princípio sólido do investimento é a segurança”. Em outra parte: “Um baixo retorno e um retorno seguro são muito mais desejáveis do que o risco”. Portanto, nada de buscar ganhos fáceis e rápidos. Essa é a maneira certa de perder dinheiro. E ninguém quer ver ir embora o dinheiro conquistado com esforço e com muito trabalho, não é mesmo?

            Outro ponto fundamental que é abordado no livro é o papel do estudo, do conhecimento acerca de finanças pessoais, de como ganhar e não perder dinheiro, e da busca por aperfeiçoamento no seu próprio trabalho. Na parte do livro “Aumente a sua capacidade de ganhar dinheiro” diz o seguinte: “Quanto mais sabedoria adquirimos, mais podemos ganhar. O homem que procura aprender mais sobre o seu ofício será ricamente recompensado”. Sendo assim, estudar e ser melhor naquilo que se faz ainda é o melhor investimento. É o que pode garantir efetivamente o seu sustento e de sua família e garante a possibilidade de multiplicar o dinheiro obtido com o trabalho honesto em atividade lícita, proporcionando segurança e tranquilidade para a sua família.

            É importante ainda lembrar que não há nada de errado em querer ganhar mais dinheiro, mas é preciso evitar a ganância e a busca de ganhos rápidos. É preciso buscar alcançar objetivos e desejos mais realistas e a partir daí ir avançando ao invés de simplesmente desejar ser rico. Como diz o texto: “Este é o processo pelo qual a riqueza se acumula: primeiro em pequenas quantidades, depois em grandes quantidades à medida que o homem aprende e se torna mais capaz”.

            Se pudéssemos extrair algumas dicas para ter uma vida próspera, a partir do que ensina o livro “O Homem Mais Rico da Babilônia”, uma delas seria POUPAR 10% DOS GANHOS. Poupando, nem que seja uma parte pequena do salário, é possível constituir uma reserva de emergência e ter um dinheiro disponível para investimentos mais rentáveis para gerar um futuro melhor. Outro ponto fundamental é CONTROLAR AS DESPESAS, FAZENDO UM ORÇAMENTO E GASTANDO NÃO MAIS QUE NOVE DÉCIMOS DO RENDIMENTO. Outra lição é MULTIPLICAR A RIQUEZA COM INVESTIMENTOS RENTÁVEIS.

            Uma das coisas mais importantes é ASSEGURAR RENDIMENTOS FUTUROS, PLANEJANDO COM ANTECEDÊNCIA AS NECESSIDADES QUE TERÁ NA VELHICE E A PROTEÇÃO DA FAMÍLIA. Apesar disso, buscar prosperidade na vida não pode se tornar um tipo de escravidão. É preciso ter equilíbrio. Como diz no próprio livro:

            “Aproveitem a vida enquanto estiverem aqui. Não se esforcem demasiado e não tentem poupar muito dinheiro. Se um décimo de tudo o que ganham é o máximo que conseguirem guardar confortavelmente, tenham gosto em poupar esse quinhão”

            Isto é, deve-se poupar na medida das suas possibilidades; pensar no futuro, mas sem sacrificar inteiramente o presente em função dele. O mais importante é viver de acordo com a sua renda. Como escreveu Clason em “O Homem Mais Rico da Babilônia”: “Vivam de forma diferente de acordo com os vossos rendimentos e não se deixem enganar pelo medo de gastar. A vida é boa e a vida é rica em coisas que valem a pena e em coisas para desfrutar”.

            Com planejamento, equilíbrio e objetivo na vida é possível ter uma vida financeira equilibrada e alcançar prosperidade na vida pessoal e para as pessoas próximas e até mesmo para a comunidade.

             

           

 

EDUCAÇÃO FINANCEIRA: CONSUMO PLANEJADO

 


            Em 2013 o Banco Central do Brasil lançou um material de educação financeira de distribuição gratuita intitulado “Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais (Conteúdo Básico)”. O texto integral pode ser encontrado no site do Banco Central.

            Um dos conceitos abordados no caderno de educação financeira do Banco Central é o de “troca intertemporal”. A respeito desse termo relativo às opções de consumo no tempo, pode-se ler o seguinte: “Perceba que possuímos, basicamente, duas opções ao lidar com o consumo no tempo. Essa é a escolha fundamental quando o assunto é gestão financeira: temos a opção de usufruir agora e pagar depois, assumindo uma posição devedora, ou seja, pagando juros; ou podemos optar por pagar agora e usufruir depois e assumir uma posição credora, recebendo juros". Considerando o fenômeno da troca intertemporal, cada pessoa, ao fazer suas escolhas, deve avaliar se é mais vantajoso pagar antes (isto é, poupar) para consumir depois ou consumir antes e pagar mais caro depois (com juros). Isso vai depender das necessidades de cada um, mais ou menos urgentes, e ambas as opções podem ser feitas corretamente desde que sejam feitas de forma planejada. Caso contrário, corre-se o risco de gastar muito mais do que o necessário e ainda se endividar e limitar suas possibilidades de consumo no presente e no futuro.

            O ideal é consumir de forma planejada sempre que possível. De acordo com o texto: “Consumo planejado é fazer mais com a mesma quantidade de recursos”. Ou seja, ao consumir de forma planejada é possível fazer o seu dinheiro render mais.

            Vantagens de planejar o consumo:

1 – Controlar o endividamento pessoal;

2 – Auxiliar na preservação e no aumento do patrimônio;

3 – Eliminar gastos desnecessários;

4 – Utilizar os juros a seu favor;

5 – Maximizar os recursos disponíveis.

            E como é possível maximizar os recursos disponíveis? A resposta é: pesquisando preço, negociando descontos, dentre outras atitudes de valorizar o seu dinheiro.

 

USO DO CRÉDITO: O VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO E A TROCA INTERTEMPORAL

 

            O crédito é uma fonte adicional de recursos que não são seus, mas obtidos de terceiros (bancos, financeiras, cooperativas de crédito e outros), que possibilita a antecipação do consumo para a aquisição de bens ou contratação de serviços” (Banco Central do Brasil)

           

            Na publicação “Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais”, do Banco Central do Brasil, é apresentada a definição de crédito e outros conceitos relacionados ao assunto, como o conceito de juros. Os juros são o aluguel do dinheiro no tempo. Quando se compra um produto qualquer a prazo se recebe um benefício antecipado para pagar depois. Por usufruir de algo pago com dinheiro de terceiros se paga juros àquele que empresta. Os juros podem ser simples ou compostos. Os juros simples “são aqueles pagos somente sobre o capital principal”; os juros compostos são os “juros sobre juros”.

            As vantagens do uso do crédito são: 1 – antecipar o consumo; 2 – atender a emergências; 3 – aproveitar oportunidades. As desvantagens do uso do crédito são: 1 – custo da antecipação do consumo com o uso do crédito implica pagamento de juros; 2 – risco de endividamento excessivo; 3 – limite de consumo futuro. Como o crédito tomado no presente deve ser pago no futuro, isso reduz as disponibilidades financeiras futuras para o consumo, uma desvantagem que traduz o fenômeno das trocas intertemporais (usufruir agora e pagar depois, assumindo uma posição devedora, pagando o produto ou serviço com juros ou poupar e usufruir depois, assumindo uma posição credora, recebendo juros).

CONSUMO, CONSUMISMO E OBSOLETISMO PLANEJADO

              No vídeo “A História das Coisas”, sucesso na internet visto por milhões de pessoas de todo o mundo, são apresentados os conc...